- A insatisfação do setor produtivo catarinense com o ritmo das negociações
- O contexto das relações comerciais Brasil-EUA e o impacto em Santa Catarina
- As demandas da FIESC e o papel do governo federal
- Cenário econômico e a importância das exportações para SC
- Busca por competitividade e o futuro do comércio exterior
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) vem intensificando seu posicionamento em relação à necessidade de uma atuação mais assertiva do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos, visando à redução ou eliminação de barreiras tarifárias que afetam diretamente o setor produtivo catarinense. Em declarações recentes, o presidente da entidade expressou preocupação e urgência, ressaltando que as medidas ou avanços já alcançados em esferas governamentais não se traduzem em benefícios concretos para a realidade econômica do estado.
A demanda por celeridade nas discussões sobre a taxação imposta por Washington é um reflexo do impacto significativo que tais políticas comerciais exercem sobre as exportações e a competitividade das empresas de Santa Catarina. A indústria catarinense, reconhecida pela sua diversificação e pelo seu forte perfil exportador em setores como metalmecânica, têxtil, plásticos, alimentos processados e cerâmica, depende substancialmente de um ambiente comercial internacional estável e previsível para prosperar e gerar empregos.
A preocupação da FIESC não é isolada. Representa o anseio de um ecossistema industrial robusto que contribui decisivamente para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual e nacional. A capacidade de planejamento de investimentos e a manutenção de postos de trabalho estão intrinsecamente ligadas à capacidade das empresas de acessarem mercados-chave, como o norte-americano, sem o entrave de tarifas que elevam os custos e reduzem as margens de lucro, tornando os produtos brasileiros menos atraentes para os consumidores estrangeiros.
A insatisfação do setor produtivo catarinense com o ritmo das negociações
Em uma entrevista concedida ao Grupo ND, veículo de comunicação local, o presidente da FIESC, que representa uma das mais importantes federações de indústria do país, enfatizou a disparidade entre o que é discutido em nível federal e o que é sentido na ponta da cadeia produtiva em Santa Catarina. Segundo o dirigente, os avanços reportados em mesas de negociação internacionais não se refletem na prática para as empresas catarinenses, que continuam enfrentando obstáculos significativos para escoar seus produtos para o mercado estadunidense.
Essa percepção de ineficácia dos diálogos em andamento gera frustração no empresariado, que vê a perda de oportunidades e a diminuição da competitividade. O custo de produção elevado pela taxação dos EUA, somado a outros desafios intrínsecos ao ambiente de negócios brasileiro – como a alta carga tributária, a infraestrutura deficiente e a burocracia – cria um cenário desafiador para a manutenção e expansão das atividades industriais no estado. A Federação destaca que a urgência na negociação é crucial para evitar maiores prejuízos e para garantir a sustentabilidade do setor a longo prazo.
O apelo da FIESC visa, em última instância, sensibilizar as autoridades federais para a especificidade das indústrias de Santa Catarina e para a importância de estratégias de negociação que considerem as particularidades e as vulnerabilidades dos setores produtivos locais. A FIESC, como voz da indústria catarinense, busca assegurar que os interesses das empresas do estado sejam priorizados nas pautas de comércio exterior.
O contexto das relações comerciais Brasil-EUA e o impacto em Santa Catarina
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos são complexas e de longa data, sendo os EUA um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2023, por exemplo, os Estados Unidos figuraram entre os maiores destinos das exportações brasileiras, abrangendo uma vasta gama de produtos, desde commodities agrícolas até bens manufaturados. Para Santa Catarina, essa parceria é ainda mais vital, dada a sua matriz econômica diversificada e a alta propensão à exportação de produtos industrializados com maior valor agregado.
Historicamente, a imposição de tarifas e barreiras não tarifárias tem sido um instrumento utilizado pelos países para proteger seus mercados domésticos ou para retaliar práticas comerciais consideradas desleais. No caso específico dos Estados Unidos, a aplicação de medidas como tarifas antidumping, direitos compensatórios ou salvaguardas comerciais, bem como outras formas de taxação, pode impactar setores específicos da indústria brasileira. Embora o governo federal brasileiro, através de órgãos como o Itamaraty e o Ministério da Fazenda, esteja constantemente engajado em diálogos para mitigar esses efeitos, a velocidade e a efetividade dessas negociações são frequentemente questionadas pelo setor privado.
A indústria catarinense, com suas especificidades setoriais, sente de perto essas flutuações. Produtos como autopeças, têxteis, plásticos e cerâmicos, que têm forte presença no parque industrial de Santa Catarina, são particularmente sensíveis às alterações tarifárias. Uma elevação ou manutenção de tarifas pode resultar na perda de contratos, diminuição da produção e, consequentemente, na redução de postos de trabalho, afetando a estabilidade econômica e social do estado. A manutenção de um canal de diálogo constante e eficaz com os parceiros comerciais, especialmente os EUA, é, portanto, um pilar fundamental para a saúde econômica da região.
As demandas da FIESC e o papel do governo federal
A FIESC, ao exigir urgência nas negociações, não apenas aponta um problema, mas também sinaliza a necessidade de uma estratégia mais coordenada e focada. As demandas da Federação para o governo federal incluem a criação de grupos de trabalho específicos para setores mais afetados, a intensificação das missões diplomáticas e comerciais e a busca por acordos bilaterais que possam oferecer condições mais favoráveis para as empresas catarinenses.
O governo federal, por meio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Apex-Brasil, tem um papel crucial na representação dos interesses da indústria brasileira no cenário internacional. No entanto, a FIESC argumenta que é preciso ir além das declarações gerais e traduzir esses esforços em resultados palpáveis. Isso implica em um acompanhamento mais de perto das negociações, com a participação ativa de representantes do setor privado, que podem fornecer informações detalhadas sobre os impactos reais das tarifas e as necessidades específicas das empresas.
A busca por mecanismos que agilizem a resolução de impasses comerciais, como os procedimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou acordos de livre comércio, também é vista como uma alternativa. Contudo, o foco primário da FIESC reside na negociação bilateral direta com os Estados Unidos, dada a relevância desse mercado e a percepção de que as tarifas atuais não refletem um comércio justo e equitativo para os produtos de Santa Catarina.
Cenário econômico e a importância das exportações para SC
Santa Catarina possui uma economia diversificada e altamente integrada ao comércio internacional. O estado se destaca em várias cadeias produtivas, desde a agroindústria até tecnologias avançadas. As exportações são um motor essencial para o desenvolvimento econômico catarinense, impulsionando a inovação, a geração de renda e a criação de empregos qualificados. Em 2023, o estado registrou números expressivos de exportação, com destaque para alimentos processados, carnes, produtos plásticos e componentes metalmecânicos.
Os Estados Unidos representam um destino estratégico para muitos desses produtos, não apenas pelo volume, mas também pela qualidade e pelo valor agregado dos itens exportados. Quando a taxação ou outras barreiras dificultam esse acesso, as empresas catarinenses são forçadas a buscar novos mercados, o que pode ser um processo custoso e demorado, ou a absorver os custos adicionais, o que compromete sua rentabilidade e sua capacidade de investimento. A manutenção da competitividade é, portanto, uma prioridade inegociável para a FIESC e para o governo estadual.
Adicionalmente, a FIESC tem trabalhado em conjunto com o governo do estado de Santa Catarina para elaborar estudos e dossiês que evidenciem o impacto das tarifas dos EUA, buscando fortalecer a argumentação brasileira nas negociações. Essa colaboração entre o setor privado e o poder público é fundamental para apresentar um quadro completo e convincente da situação, auxiliando na formulação de estratégias de negociação mais eficazes e que resguardem os interesses da indústria local.
Busca por competitividade e o futuro do comércio exterior
A competitividade da indústria catarinense no mercado global não se define apenas pela qualidade de seus produtos ou pela eficiência de seus processos, mas também pela capacidade de operar em um ambiente comercial justo e com acesso desimpedido aos principais mercados consumidores. A redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias são elementos cruciais para que as empresas do estado possam competir em igualdade de condições com seus pares internacionais.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina entende que o futuro do comércio exterior passa por uma agenda de liberalização comercial, mas também pela proteção dos interesses nacionais frente a práticas que possam desequilibrar a balança comercial. O apelo por urgência na negociação com os Estados Unidos é um chamado à ação, um lembrete de que a burocracia e a lentidão diplomática têm custos reais para as empresas e para a economia como um todo.
A FIESC reitera a necessidade de um diálogo contínuo e pragmático com o governo federal para que as demandas da indústria de Santa Catarina sejam ouvidas e, mais importante, traduzidas em resultados concretos. Somente assim será possível garantir que os “avanços” mencionados pelas autoridades se apliquem de fato à realidade das indústrias catarinenses, assegurando um cenário de crescimento, inovação e prosperidade para o estado e para o Brasil no comércio internacional.
