Uma tragédia motivada por ciúmes abala a capital catarinense. Geovanna Souza, de 21 anos, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça, tornando-se a principal suspeita de causar o falecimento de seu namorado, Lucas Andrade, de 25 anos, e de uma amiga em comum, Mariana Costa, de 23 anos. O lamentável episódio, que teria ocorrido após um desentendimento, resultou nas mortes por atropelamento, e o caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio duplamente qualificado.
A decisão judicial de manter Geovanna sob custódia foi proferida após uma audiência de custódia. O processo legal agora avança, buscando esclarecer as circunstâncias exatas que levaram a este desfecho fatal, que chocou a comunidade e levantou discussões sobre a escalada da violência em relacionamentos interpessoais.
Detalhes do trágico incidente em Jurerê Internacional
De acordo com os primeiros levantamentos da Polícia Civil de Santa Catarina, os fatos que culminaram nas mortes de Lucas e Mariana tiveram início na madrugada do último sábado, 18 de maio, em Jurerê Internacional, um bairro conhecido pela intensa vida noturna em Florianópolis. Testemunhas relataram um desentendimento acalorado entre Geovanna e Lucas, supostamente provocado por ciúmes da suspeita em relação à presença de Mariana.
A discussão teria escalado rapidamente. Após o confronto verbal, Geovanna teria entrado em seu veículo, um SUV de cor preta, e, de forma intencional, acelerado em direção a Lucas e Mariana, que estavam próximos a uma calçada. O impacto foi violento e, segundo os socorristas que atenderam a ocorrência, as vítimas não resistiram aos ferimentos, vindo a óbito no local.
A cena do crime foi imediatamente isolada pela Polícia Militar, que acionou a Polícia Civil e o Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos cabíveis. Peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) foram mobilizados para coletar evidências, que serão cruciais para a investigação e para a elucidação dinâmica dos acontecimentos. O veículo utilizado no crime foi apreendido para perícia.
A prisão e os desdobramentos legais
Geovanna Souza foi detida em flagrante poucas horas após o incidente. A princípio, ela teria tentado fugir do local, mas foi interceptada por policiais militares em um posto de fiscalização a alguns quilômetros de Jurerê. Levada à delegacia, a suspeita optou por permanecer em silêncio durante o depoimento inicial, conforme seu direito constitucional.
A audiência de custódia, rito legal obrigatório após uma prisão em flagrante, foi realizada por videoconferência. Durante a sessão, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva, argumentando a gravidade dos fatos, a natureza hedionda do crime e a necessidade de garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal. A defesa da acusada, por sua vez, pleiteou a liberdade provisória ou a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão.
Contudo, o magistrado responsável pelo caso acatou o pedido do MPSC, considerando presentes os requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal (link externo para Código de Processo Penal). A prisão preventiva, que não tem prazo determinado, visa evitar que a suspeita possa influenciar testemunhas, destruir provas ou reincidir em conduta criminosa, além de assegurar que ela permaneça à disposição da Justiça durante todo o processo. Este é um passo fundamental na tramitação do inquérito policial, que agora seguirá para a fase de denúncia formal pelo Ministério Público.
Homicídio duplamente qualificado: o que a lei prevê
O caso está sendo tratado pela Polícia Civil como homicídio duplamente qualificado, o que implica em uma pena significativamente mais severa do que a de um homicídio simples. No Código Penal Brasileiro, o artigo 121, parágrafo 2º, elenca as qualificadoras que tornam o crime de homicídio mais grave (link externo para Código Penal).
Neste contexto, a qualificadora de “motivo fútil” é comumente associada a crimes passionais ou atos impulsionados por ciúmes desproporcionais, como parece ser o caso. Além disso, a forma como o crime foi cometido, com o uso de um veículo para atropelar as vítimas de forma deliberada, pode ser enquadrada como “recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”, caracterizando a segunda qualificadora. A pena para homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos de reclusão.
A investigação minuciosa se concentrará em reunir todas as provas necessárias para sustentar as qualificadoras, o que inclui depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, laudos periciais e a análise do histórico de relacionamento entre os envolvidos. A equipe de investigação da Delegacia de Homicídios de Florianópolis trabalha intensamente para consolidar o inquérito.
Violência em relacionamentos e a repercussão social
A tragédia em Jurerê Internacional lança luz sobre a complexidade da violência que pode emergir em relacionamentos afetivos. Embora o caso não se enquadre diretamente na Lei Maria da Penha (que protege mulheres), ele reflete a gravidade das desavenças passionais que, infelizmente, persistem na sociedade brasileira. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) frequentemente apontam para o alto índice de violência interpessoal, incluindo agressões e homicídios relacionados a conflitos familiares e de gênero (link externo para Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
A comunidade de Florianópolis expressou choque e consternação com o acontecimento. Mensagens de luto e indignação tomaram as redes sociais, com amigos e familiares de Lucas e Mariana pedindo por justiça. O episódio serve como um doloroso lembrete da importância de buscar ajuda profissional e de romper ciclos de violência, seja ela física ou psicológica, antes que tais situações escalem para desfechos irreversíveis.
Organizações de apoio a vítimas de violência e especialistas em saúde mental reforçam a necessidade de atenção aos sinais de comportamentos possessivos ou agressivos em relacionamentos. A intervenção precoce pode ser crucial para evitar que conflitos se transformem em tragédias, promovendo ambientes mais seguros e saudáveis para todos.
Próximos passos da investigação e do processo
Com a prisão preventiva decretada, Geovanna Souza aguardará o desenrolar do processo reclusa. A Polícia Civil tem um prazo para finalizar o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público. Após a análise do MPSC, será oferecida a denúncia formal à Justiça, momento em que Geovanna passará a ser ré no processo criminal.
O caso seguirá então para a fase de instrução processual, onde serão ouvidas testemunhas, apresentadas provas e realizadas as alegações finais. Em casos de homicídio qualificado, o julgamento é feito pelo Tribunal do Júri, colegiado de cidadãos que decide sobre a culpa ou inocência do réu. A expectativa é que o processo seja acompanhado de perto pela mídia e pela opinião pública, dada a brutalidade e as circunstâncias do crime.
A defesa de Geovanna, conforme o devido processo legal, terá todas as oportunidades de apresentar sua versão dos fatos e de contestar as acusações. O sistema de justiça brasileiro, através de seus ritos e garantias, assegura que todas as etapas sejam cumpridas, visando sempre a busca pela verdade e pela aplicação da justiça em sua plenitude.
