O empresário Luciano Hang, conhecido por sua atuação à frente da rede de lojas Havan e por suas posições políticas contundentes, voltou a gerar repercussão em suas redes sociais ao comentar sobre a situação política na Venezuela. Em uma publicação que provocou diversos debates, Hang fez referência à crise venezuelana e ao papel dos Estados Unidos no cenário, utilizando de ironia para expressar sua visão e resgatando, implicitamente, uma antiga discussão ligada a marcas de chinelos e símbolos nacionais.
A declaração do empresário, figura proeminente no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi interpretada como uma celebração do que ele percebe como um enfraquecimento do governo de Nicolás Maduro e um maior controle ou influência norte-americana sobre os assuntos do país vizinho. Essa manifestação reacende o debate sobre a política externa brasileira em relação à Venezuela e a polarização ideológica que permeia a discussão.
O contexto da provocação de Luciano Hang
Luciano Hang utilizou suas plataformas digitais, onde possui milhões de seguidores, para compartilhar sua perspectiva sobre os eventos recentes envolvendo a Venezuela. A frase, proferida com um tom provocativo, foi percebida como uma alusão direta à complexa dinâmica geopolítica na América do Sul e o envolvimento de potências globais na região. Sua mensagem reflete uma linha de pensamento que defende uma postura mais alinhada aos interesses dos Estados Unidos e crítica aos regimes socialistas ou de esquerda, frequentemente associados ao governo venezuelano.
Essa não é a primeira vez que o empresário se manifesta sobre questões internacionais ou políticas internas com um viés ideológico claro. Hang construiu uma imagem pública de defensor do liberalismo econômico e de valores conservadores, usando suas redes sociais para endossar pautas e criticar o que considera ser uma ameaça a esses princípios. Suas declarações frequentemente buscam engajar sua base de apoio e gerar debate na esfera pública, muitas vezes com forte polarização.
A crise venezuelana e o papel dos Estados Unidos
Para compreender a fala de Hang, é essencial contextualizar a profunda e prolongada crise política, econômica e social que assola a Venezuela. Desde o início dos anos 2010, o país tem enfrentado uma hiperinflação galopante, escassez de produtos básicos, colapso dos serviços públicos e uma onda migratória sem precedentes na região, que deslocou milhões de venezuelanos para nações vizinhas, incluindo o Brasil.
A crise se aprofundou com disputas eleitorais controversas e a ascensão de Juan Guaidó, ex-presidente da Assembleia Nacional, que se autoproclamou presidente interino em janeiro de 2019, sendo reconhecido por dezenas de países, incluindo os Estados Unidos e o Brasil à época do governo Bolsonaro. Os Estados Unidos, sob as administrações de Donald Trump e, em menor grau, de Joe Biden, impuseram uma série de sanções econômicas severas contra o governo Maduro e a PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana, visando pressionar por uma transição democrática. Essas sanções, que incluem restrições financeiras e embargos petrolíferos, são frequentemente citadas como um fator de influência externa na política venezuelana.
A posição brasileira em relação à Venezuela variou significativamente. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, o governo brasileiro seguiu a linha norte-americana de não reconhecimento de Maduro e apoio a Guaidó. Com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, houve uma reorientação da política externa, com o restabelecimento das relações diplomáticas plenas com Caracas e um esforço para reinserir a Venezuela em fóruns regionais e multilaterais, buscando uma solução dialogada para a crise.
Nesse cenário de transições e tensões diplomáticas, a menção de Luciano Hang sobre um suposto “controle dos EUA” sobre o governo venezuelano pode ser interpretada como uma crítica velada à atual aproximação do Brasil com Maduro, reiterando sua preferência por uma linha mais dura e alinhada às sanções internacionais que buscaram isolar o regime venezuelano. (Leia mais sobre as relações Brasil-Venezuela)
A polêmica dos chinelos e a questão da identidade nacional
Além de abordar a questão venezuelana, Luciano Hang aproveitou o momento para, segundo a notícia original, “resgatar polêmica com marca de chinelos”. Embora a matéria original não especifique qual marca ou qual polêmica exata, Hang já esteve envolvido em debates públicos que relacionam produtos de consumo e símbolos nacionais a posicionamentos políticos e ideológicos. Uma das interpretações possíveis remete a discussões anteriores sobre o uso de cores e símbolos nacionais por marcas populares, como os chinelos, e a forma como esses elementos são percebidos por diferentes grupos políticos.
Historicamente, Hang tem sido um defensor fervoroso do uso das cores verde e amarela, que ele considera representativas do patriotismo brasileiro. Em diversas ocasiões, ele criticou o que percebia como a “apropriação” ou “desvalorização” desses símbolos por grupos ideológicos opostos ou por empresas que não alinhassem com sua visão de nacionalismo. A menção a chinelos pode, portanto, ser uma referência a debates passados sobre a identidade visual de produtos que utilizam as cores da bandeira, ou que, de alguma forma, foram associados a pautas políticas que ele desaprova.
Em um contexto mais amplo, a polêmica dos chinelos pode simbolizar a forma como elementos cotidianos são imbuídos de significado político e se tornam parte do campo de batalha ideológico. Para Hang, o “começar o ano com o pé direito”, em alusão ao cenário venezuelano, pode ter um duplo sentido, não apenas com a situação de Maduro, mas também com a reafirmação de uma visão de país e de alinhamento político que ele defende, estendendo essa visão até mesmo a itens de vestuário e acessórios que carregam simbologia nacional. Essa conexão entre política internacional, economia e símbolos do cotidiano é uma marca da retórica do empresário.
Repercussão e debates contínuos
As declarações de Luciano Hang, como de costume, não passaram despercebidas. Em suas redes sociais, geraram uma enxurrada de comentários, com apoiadores reforçando sua visão e críticos rebatendo suas afirmações. O empresário, que se tornou um influenciador político com grande alcance, continua a usar sua voz para pautar discussões e reforçar sua agenda ideológica.
A menção à Venezuela e a seu governo, bem como a reedição de debates sobre marcas e identidade nacional, servem como um termômetro da polarização que ainda caracteriza o cenário político brasileiro. A discussão sobre o futuro da Venezuela, as relações internacionais do Brasil e a forma como figuras públicas se posicionam em temas sensíveis continua sendo um ponto central para o debate público no país.
A posição de Hang reflete uma parcela da sociedade brasileira que se mantém vigilante e crítica em relação a regimes considerados autoritários e que apoia uma política externa mais alinhada a potências ocidentais. Por outro lado, a polarização demonstra também a existência de grupos que defendem a soberania dos países latino-americanos e questionam a intervenção externa, buscando soluções regionais e diplomáticas. (Consulte informações do Itamaraty sobre a política externa brasileira)



