O estudo, conduzido por especialistas do King’s College de Londres e da Universidade de Oxford, foi publicado na revista médica The Lancet. O levantamento apontou que as distinções nos efeitos colaterais podem afetar a saúde do medicado, bem como sua capacidade de manter o uso contínuo da medicação.
Eles alertam que ninguém deve interromper o uso do antidepressivo por conta própria e defendem que a medicação seja ajustada por especialistas para se adequar às necessidades de cada paciente.
Entre os antidepressivos analisados – agomelatina, maprotilina, fluvoxamina, nortriptilina e doxepina – o estudo encontrou diferenças de efeitos colaterais em aspectos físicos e mentais. Confira alguns dos resultados:
É sabido que antidepressivos podem afetar a saúde física. Mas o estudo britânico, pela primeira vez, criou uma espécie de ranking que possibilita comparar os medicamentos a fim de entender as diferenças de efeitos colaterais e seus impactos.
“Há grandes diferenças entre [os antidepressivos], e isso é importante não apenas para pacientes individualmente, mas também porque um grande número de pessoas os utiliza — então, mesmo mudanças modestas podem ter um grande impacto em toda a população”, afirmou o pesquisador professor Oliver Howes.
Essas diferenças apontadas pelo pesquisador podem se combinar de forma a se tornarem clinicamente relevantes – inclusive elevando o risco de infarto ou derrame.
Ou seja, mesmo que dois pacientes tenham o mesmo diagnóstico, eles podem se beneficiar de antidepressivos diferentes, a depender inclusive de suas condições de saúde.
O projeto analisou 151 estudos sobre 30 medicamentos amplamente usados no tratamento da depressão, que envolvem mais de 58 mil pacientes.
À BBC, Toby Pillinger traçou um cenário hipotético onde três pacientes possuíam o diagnóstico de depressão e receberam a recomendação médica de tomar antidepressivos.
O especialista recomenda que a paciente seja medicada com um antidepressivo como agomelatina, sertralina ou venlafaxina – que não costumam causar aumento de peso – em vez de outros fármacos amplamente usados, como amitriptilina ou mirtazapina, associados a uma maior probabilidade de ganho de peso.
Pillinger recomenda que o paciente evite remédios como a venlafaxina, que elevam a pressão arterial. Em razão de seu quadro, ele recomendaria opções como citalopram, escitalopram ou paroxetina.
Nesse caso, a recomendação do médico é que se evitem a venlafaxina, a duloxetina e paroxetina, que devem ser substituídas por opções mais neutras em relação ao colesterol, como o citalopram ou o escitalopram.
O quadro acima tem apenas o propósito de ilustrar como diferentes antidepressivos podem provocar efeitos colaterais distintos e como certas condições de saúde (como hipertensão ou colesterol alto) podem tornar alguns medicamentos menos indicados do que outros para cada paciente. Ele não substitui uma avaliação médica e não deve, em hipótese alguma, ser usado como recomendação para automedicação.
Caso você apresente sinais de depressão, busque ajuda profissional. Procure, em primeiro lugar, a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua casa ou um serviço de saúde de confiança para receber atendimento adequado.
Pelo fato de alguns dos medicamentos terem um efeito colateral considerado “negativo” (como o ganho de peso), pode surgir a percepção de que eles sejam “ruins” ou de que não faça sentido utilizá-los em detrimento de outros.
Entretanto, os especialistas consideram simplista demais afirmar que existem antidepressivos “bons” e “ruins”.
Por exemplo: embora a amitriptilina cause ganho de peso, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, ela também ajuda a aliviar dores e problemas de sono.
Atualmente, a classe de antidepressivos mais prescrita é a dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) – como paroxetina, citalopram, escitalopram e sertralina –, que em geral, provocam menos efeitos colaterais físicos.
Andrea Cipriani, professor da Universidade de Oxford, destaca que é “impossível” estimar quantas, entre os milhões de pessoas que tomam antidepressivos, deveriam estar usando outro tipo de medicação ou não tomam os remédios adequados.
Entretanto, ele aponta que a maioria dos pacientes optam por “medicamentos genéricos e baratos”.
Agora, os pesquisadores trabalham para desenvolver uma ferramenta online gratuita para ajudar médicos e pacientes a escolher o medicamento mais adequado.
Fonte: Gazeta do Povo
