Um episódio de abigeato (furto de animais) chocou a comunidade rural de Gaspar, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, na última madrugada. Criminosos invadiram uma propriedade na zona rural da cidade, subtraindo um número significativo de ovinos. O proprietário da fazenda, em estado de apreensão, mobiliza esforços junto às autoridades e à vizinhança na tentativa de recuperar os animais furtados.
O incidente foi descoberto nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (XX de Mês, Ano), quando o senhor Jorge Mendes, de 58 anos, ao iniciar sua rotina de verificação no Sítio Recanto Verde, percebeu a ausência de cerca de quinze ovelhas da raça Santa Inês que pastavam em um dos piquetes mais afastados da sede da propriedade. A cena revelava sinais claros da ação dos criminosos: uma cerca cortada e vestígios de veículos pesados, indicando que os animais foram transportados de forma organizada.
Detalhes da invasão e modus operandi dos criminosos
De acordo com o relato do produtor rural, a invasão ocorreu entre a meia-noite e as quatro horas da manhã. O silêncio noturno da região, comum em áreas rurais, facilitou a ação dos ladrões. “É uma sensação de impotência muito grande. Eles agiram com rapidez, no escuro, sabendo que dificilmente alguém perceberia o movimento,” desabafou Mendes, visivelmente abalado. Ele estima que o prejuízo inicial, considerando o valor de mercado de cada animal, ultrapasse os R$ 15 mil, sem contar o valor genético e o tempo dedicado à criação.
A Polícia Militar de Gaspar foi acionada logo após a descoberta e realizou o primeiro atendimento no local, colhendo informações e registrando o boletim de ocorrência. O caso foi encaminhado para a Polícia Civil de Santa Catarina, que iniciou uma investigação para identificar os autores do furto e localizar o rebanho. Peritos criminais também foram chamados para buscar evidências que possam levar aos responsáveis, como impressões digitais, marcas de pneus e outros indícios que ficaram na propriedade.
Impacto do abigeato na vida do produtor rural em Santa Catarina
O abigeato representa um problema recorrente para os produtores rurais em diversas regiões do Brasil, incluindo Santa Catarina. Além do prejuízo financeiro direto pela perda dos animais, que muitas vezes são fruto de anos de investimento em genética e manejo, há o impacto emocional e a sensação de insegurança. Para muitos, a criação de animais é a principal fonte de renda e um legado familiar. O roubo de um rebanho pode desestruturar economicamente pequenos e médios produtores, levando-os a repensar a continuidade da atividade.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de órgãos de segurança pública, embora não específicos para Gaspar, indicam um aumento na incidência de crimes rurais em certas áreas, especialmente o furto e roubo de gado e implementos agrícolas. A vastidão das propriedades e a dificuldade de patrulhamento em regiões isoladas tornam as fazendas alvos mais vulneráveis. A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina tem buscado implementar estratégias para coibir esses delitos, mas a natureza dos crimes e a logística rural impõem desafios complexos.
Comunidade e órgãos de apoio rural se manifestam
A notícia do furto das ovelhas de Jorge Mendes rapidamente se espalhou entre os moradores de Gaspar e municípios vizinhos. A solidariedade é um traço forte nas comunidades rurais, e muitos vizinhos e amigos já se organizam para auxiliar nas buscas e compartilhar informações que possam surgir. Grupos de mensagens e redes sociais estão sendo utilizados para divulgar fotos dos animais, na esperança de que alguém os identifique em outras propriedades ou em rodovias.
Entidades representativas do setor, como o Sindicato Rural de Gaspar e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), emitiram notas de apoio ao produtor e reforçaram a importância de medidas de segurança no campo. Eles também destacaram a necessidade de que os canais de denúncia sejam fortalecidos e que a investigação policial avance rapidamente para desarticular quadrilhas especializadas nesse tipo de crime. “Cada animal roubado representa não apenas um prejuízo, mas um ataque à subsistência da nossa gente. É fundamental que as autoridades atuem com rigor,” afirmou um representante do sindicato local.
Medidas de segurança e prevenção no campo
Diante da crescente preocupação com a segurança rural, produtores como Jorge Mendes são incentivados a adotar medidas preventivas. Isso inclui o investimento em cercas mais robustas, iluminação estratégica em áreas sensíveis da propriedade, sistemas de monitoramento por câmeras, e até mesmo a instalação de chips de identificação nos animais. A criação de redes de comunicação entre vizinhos, utilizando aplicativos de mensagens, também tem se mostrado eficaz para alertar sobre movimentações suspeitas.
A colaboração com a polícia, através da comunicação imediata de qualquer indício de crime ou movimentação incomum, é vital. Programas de policiamento rural, quando existentes, dependem da participação ativa dos proprietários para serem eficientes. A orientação é sempre registrar o boletim de ocorrência, mesmo em casos de furtos de menor valor, pois esses dados ajudam as autoridades a mapear as áreas de maior risco e direcionar o patrulhamento.
Buscas e apelo à população
Enquanto a investigação policial segue seu curso, o produtor Jorge Mendes mantém a esperança de reaver suas ovelhas. Ele fez um apelo à população para que, caso alguém tenha visto alguma movimentação suspeita na madrugada do crime ou tenha informações sobre o paradeiro dos animais, entre em contato imediatamente com a Polícia Militar pelo 190, a Polícia Civil pelo 181, ou mesmo diretamente com ele, através de contatos divulgados por seu sindicato. A ajuda da comunidade é crucial para solucionar casos de abigeato, onde os animais podem ser rapidamente transportados e comercializados em outras regiões.
O caso em Gaspar serve como um alerta para a fragilidade da segurança em áreas rurais e reforça a necessidade de um esforço conjunto entre produtores, forças de segurança e toda a sociedade para combater crimes que impactam diretamente a economia e o modo de vida do campo catarinense.



