O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) divulgou um novo boletim de balneabilidade que revela uma preocupante deterioração na qualidade da água das praias do estado. Segundo o levantamento mais recente, um total de 103 pontos distribuídos pelo litoral catarinense foram classificados como impróprios para banho, marcando o pior índice registrado na atual temporada de verão 2025/2026. A notícia acende um alerta para a saúde pública e o setor turístico, evidenciando a necessidade urgente de atenção às questões ambientais e de saneamento básico.
A análise do IMA, realizada periodicamente para monitorar as condições das águas costeiras, demonstra um aumento significativo de locais com índices de contaminação acima dos padrões estabelecidos. Esta situação, que se intensifica com a chegada do grande fluxo de turistas, coloca em xeque a imagem de Santa Catarina como um destino de praias paradisíacas e seguras, exigindo respostas eficazes das autoridades e da sociedade.
Detalhes do relatório do Instituto do Meio Ambiente sobre balneabilidade
O boletim de balneabilidade do IMA é um instrumento essencial para informar a população e os visitantes sobre as condições de higiene das praias. O monitoramento é feito em diversos pontos estratégicos ao longo da costa, avaliando, principalmente, a presença de coliformes termotolerantes (fecais), um indicador de contaminação por esgoto doméstico e outras fontes poluidoras. Quando a concentração desses micro-organismos ultrapassa o limite permitido pela legislação ambiental, o local é considerado impróprio para atividades de lazer na água.
Nesta temporada, que se estende até o início de 2026, os resultados mais recentes do IMA indicam que, dos mais de 230 pontos monitorados regularmente em diversas praias e balneários, cerca de 45% apresentaram índices insatisfatórios. Este número de 103 locais impróprios não só representa um aumento em relação às semanas anteriores, como também configura o pico negativo de todo o período de veraneio até o momento. A queda na qualidade da água é um reflexo direto de múltiplos fatores que se intensificam no período mais quente do ano e com a maior concentração de pessoas.
O mapeamento dos pontos críticos abrange diferentes regiões do estado, desde a Grande Florianópolis, passando pelo Litoral Norte e Litoral Sul, incluindo algumas das mais populares e movimentadas praias catarinenses. A divulgação regular desses dados visa garantir que os banhistas possam fazer escolhas conscientes sobre onde frequentar, minimizando os riscos à saúde.
Para consultar os dados mais atualizados, o público pode acessar o site oficial do IMA, onde os boletins são publicados semanalmente, geralmente às sextas-feiras. Essa transparência é fundamental para a gestão da informação e para a segurança dos veranistas.
Impacto na saúde pública e no turismo em Santa Catarina
A condição de impropriedade para banho em mais de uma centena de praias traz consigo sérias implicações, tanto para a saúde dos indivíduos quanto para a economia local, fortemente dependente do turismo. A exposição a águas contaminadas pode resultar em uma série de doenças, especialmente infecções gastrointestinais, como gastroenterite, diarreia, vômito, além de problemas dermatológicos, otites e, em casos mais graves, hepatite A.
Crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido são particularmente vulneráveis aos patógenos presentes na água. As autoridades de saúde pública reiteram a importância de respeitar os alertas de balneabilidade, evitando o contato com a água em locais sinalizados como impróprios, mesmo que visualmente a água pareça limpa. Muitas vezes, a contaminação por micro-organismos não é perceptível a olho nu.
No âmbito econômico, a má qualidade da água pode afetar a percepção dos turistas sobre os destinos catarinenses. Praias impróprias afastam visitantes, gerando prejuízos para o comércio local, hotéis, restaurantes e prestadores de serviços. A reputação do estado como um polo turístico de excelência, conhecido por suas belezas naturais, pode ser abalada a longo prazo se a questão da balneabilidade não for tratada com a devida seriedade e celeridade. Investimentos em saneamento e infraestrutura são cruciais para preservar a saúde dos frequentadores e a vitalidade econômica da região costeira.
Desafios do saneamento básico e perspectivas futuras para a balneabilidade
A principal causa da recorrente baixa qualidade da água nas praias de Santa Catarina está intrinsecamente ligada à deficiência na infraestrutura de saneamento básico. A expansão urbana desordenada, a proliferação de ligações clandestinas de esgoto em redes pluviais, o despejo irregular de efluentes domésticos e industriais sem tratamento adequado e a sobrecarga dos sistemas existentes durante a alta temporada contribuem diretamente para a contaminação das águas. A falta de esgotamento sanitário adequado em muitas localidades costeiras, aliada à impermeabilização do solo que favorece o escoamento superficial de poluentes, agrava o problema.
A universalização do saneamento básico, com a coleta e tratamento de esgoto para toda a população, é reconhecida como a solução de longo prazo para reverter esse cenário. O novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) estabelece metas ambiciosas para o país, visando garantir que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 2033. Para Santa Catarina, alcançar essas metas implica em investimentos massivos e um esforço conjunto dos governos estadual e municipais, bem como da iniciativa privada.
Além da expansão das redes de esgoto, outras ações são fundamentais: a fiscalização rigorosa das ligações irregulares, a educação ambiental para a população e os turistas sobre o descarte correto do lixo e a importância de não poluir, e a manutenção constante das galerias pluviais. Projetos de despoluição de rios e canais que deságuam nas praias também são de extrema importância. Ações integradas e contínuas são essenciais para proteger os ecossistemas costeiros e assegurar a qualidade das águas para as futuras gerações.
Panorama histórico da balneabilidade em Santa Catarina
Problemas com a balneabilidade não são uma novidade para Santa Catarina. Ao longo das últimas décadas, o estado tem enfrentado desafios intermitentes relacionados à qualidade da água em suas praias, especialmente durante o período de verão. Embora houvesse avanços em alguns pontos devido a investimentos específicos em saneamento, a pressão do crescimento populacional e turístico muitas vezes supera a capacidade de infraestrutura existente, resultando em oscilações nos índices de qualidade.
O monitoramento do IMA, que já se estende por anos, serve como um registro histórico valioso, demonstrando que a situação de praias impróprias para banho é um problema recorrente que exige atenção constante e planejamento estratégico de longo prazo. O “pior índice da temporada de verão 2026” reflete uma complexidade crescente, onde fatores climáticos, como chuvas intensas que lavam poluentes para o mar, e o aumento da ocupação costeira se somam para deteriorar a situação. A comunidade científica e ambientalista tem reiterado a importância de uma gestão costeira integrada, que considere não apenas o tratamento de esgoto, mas também o planejamento urbano, a drenagem pluvial e a conservação de áreas naturais.
A manutenção da qualidade ambiental das praias é um pilar para o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina. É crucial que os investimentos em saneamento básico sejam contínuos e acompanhados de políticas de fiscalização e conscientização. A garantia de praias limpas e seguras é um direito da população e um ativo inestimável para o turismo do estado, conforme também defendido por órgãos como a CASAN (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), principal operadora do serviço de saneamento em muitos municípios catarinenses, que tem o desafio de ampliar a cobertura e eficiência de suas redes.
