Como uma rede ligada ao Hamas se infiltrou em universidades dos EUA, Europa e Brasil

Um desses grupos teria se infiltrado na Universidade de Washington, nos Estados Unidos: a rede estudantil Tariq El-Tahrir. A organização se apresenta como uma “rede internacional de jovens, estudantes e organizações palestinas, árabes e internacionalistas”, mas mantém vínculos com entidades classificadas oficialmente como organizações terroristas estrangeiras por diversos países.

A Tariq El-Tahrir é descrita como o braço juvenil da Masar Badil, uma organização política sediada no Canadá que mantém laços estreitos com a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) — grupo armado considerado terrorista pelos EUA, pela União Europeia e por Israel — e com a Samidoun.

Esta última se apresenta como entidade de apoio a prisioneiros palestinos, mas é apontada por autoridades de diferentes países como uma organização de fachada utilizada para arrecadar recursos em benefício da FPLP.

No campus da Universidade de Washington, a Tariq El-Tahrir mantém vínculos estreitos com a SUPER UW (Students United for Palestinian Equality and Return), um coletivo estudantil responsável por episódios de vandalismo e ocupações.

Em maio do ano passado, integrantes do grupo participaram da ocupação de um prédio universitário que teria causado cerca de US$ 1 milhão em danos materiais. Meses depois, o mesmo grupo esteve envolvido no cerco a escritórios da Microsoft, em um protesto separado.

Juntas, a SUPER UW e a Tariq El-Tahrir organizaram ao menos um seminário online que contou com a participação de um suposto integrante do Hamas, além de outras figuras proeminentes do ativismo radical internacional.

A conexão entre uma organização de protesto estudantil e o braço juvenil de uma facção terrorista oferece um retrato do grau de radicalização alcançado por certos segmentos do ativismo universitário contemporâneo — e pode, potencialmente, servir de base para questionamentos jurídicos e investigações formais.

A atuação da Tariq El-Tahrir não se limita aos Estados Unidos. A rede opera globalmente, alternando-se como representante e apoiadora tanto da Samidoun quanto da Masar Badil.

Em países onde a Samidoun é proibida — como Israel, Alemanha, Canadá e EUA —, a Tariq El-Tahrir atua como um elo para conectar jovens militantes à estrutura operacional mais ampla do movimento. Já em países onde a Samidoun atua legalmente, como Brasil, Grécia, Itália, Bélgica e Espanha, a rede intensifica suas atividades de mobilização.

Nos Estados Unidos, há registros de que o grupo tenha promovido contatos entre ativistas estudantis e representantes de regimes considerados hostis por Washington. A Tariq El-Tahrir, por exemplo, enviou delegações à Missão Permanente da República Islâmica do Irã junto às Nações Unidas.

Em um desses encontros esteve presente a ativista Calla Walsh, que, três semanas depois, apareceu no Irã durante o Festival Sobh (evento com foco em mídia, cinema e “resistência cultural” contra o Ocidente) — ocasião em que entoou publicamente os slogans “Morte à América” e “Morte a Israel”.

A influência da Tariq El-Tahrir nos campi universitários também pode ser observada na série de seminários online intitulada “Caminho da Libertação”, lançada em outubro, na qual a SUPER UW figura como “colaboradora” em todas as edições.

As palestras buscavam discutir “temas críticos sobre a construção de uma alternativa juvenil revolucionária ao caminho ‘liquidacionista’ de Oslo” — uma referência aos Acordos de Oslo, firmados na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como tentativa de pacificação do conflito.

A série teve início com a sessão “O que fazer quando você também se torna um ‘terrorista’: a tentativa do inimigo de destruir organizações de resistência na diáspora”. O seminário, multilíngue e com quase duas horas de duração, defendeu a intensificação do ativismo e tratou a classificação de determinados grupos como terroristas como um instrumento de repressão política.

Uma das palestrantes de destaque foi Charlotte Kates, cofundadora da Samidoun. Falando apenas nove dias após a assinatura de um acordo de cessar-fogo em Gaza, Kates se recusou a defender a redução da violência.

“Não há ninguém no mundo que espere que se possa confiar no regime sionista para cumprir um acordo de cessar-fogo”, afirmou, sustentando que os ativistas teriam a “responsabilidade, em nível internacional, de não ficar parados enquanto essas violações ocorrem, mas de intensificar a luta ao lado da resistência palestina”.

Kates também mencionou Elias Rodriguez, acusado do assassinato de dois funcionários da embaixada de Israel. Em vez de condenar o ataque, ela afirmou que revolucionários e comunistas nos Estados Unidos deveriam criticar o “nível insuficiente de organização” de seus próprios movimentos.

Em outro momento, Kates atacou as leis antiterrorismo, argumentando que elas enfraquecem a “base de apoio popular” do movimento pró-Palestina. Em um “mundo justo”, disse, líderes do movimento poderiam se reunir “diretamente com aqueles que comandam a resistência na Palestina, no Líbano e no Iêmen para traçar estratégias conjuntas”.

As restrições legais, contudo, não impediram que participantes do ciclo de palestras interagissem com supostos membros do Hamas e da FPLP na sessão seguinte, intitulada “Intifada das pedras: resistência popular, memória coletiva e organização de base”.

Nessa ocasião, Osman Bilal, apontado como integrante do Hamas e supostamente envolvido no planejamento de um atentado a bomba, enviou uma mensagem aos participantes. Segundo ele, “todas as ferramentas”, incluindo “atos violentos”, “resistência armada” e “luta armada”, deveriam ser empregadas sempre que “servirem à grande causa”.

Khaled Barakat, fundador da Masar Badil e descrito por autoridades como membro da FPLP, também participou do debate, apresentando sua visão sobre o que chamou de “ala revolucionária” do movimento estudantil internacional.

O último seminário do semestre, intitulado “Gaza: a bússola da intifada estudantil”, reuniu ativistas de diferentes países, incluindo representantes da Universidade de Washington e de instituições acadêmicas da Bélgica e da Espanha.

Uma das participantes, identificada como Sana’a, que afirmou ter sido suspensa pela Universidade de Washington, declarou: “Quando dizemos ‘globalizar a intifada’, não são palavras vazias. Não estamos buscando reformas. Queremos, na verdade, subverter essas instituições”, numa provável referência a universidades e organizações não governamentais.

Para ela, a chamada “resistência” na Palestina deveria orientar a mobilização global. Sana’a acrescentou que a ocupação de prédios universitários promovida por seu grupo teria sido inspirada por um chamado vindo de Gaza para “interromper as operações de governos e corporações que alimentam o genocídio”.

No ano passado, a Universidade de Washington suspendeu 21 estudantes ligados à SUPER UW. Na semana passada, contudo, a instituição confirmou a reintegração desses alunos. De acordo com o portal conservador de notícias Post Millennial, nenhum deles foi formalmente acusado de cometer algum crime até o momento.

A readmissão desses estudantes é vista por críticos como uma decisão arriscada. Permitir o retorno de elementos considerados altamente radicais ao campus pode abrir espaço para novos episódios de violência e desordem, sobretudo diante das conexões documentadas com a Tariq El-Tahrir.

Diante desse quadro, especialistas em segurança e observadores do meio acadêmico defendem medidas mais rigorosas. Ao conectar estudantes americanos a integrantes de organizações como o Hamas, a Tariq El-Tahrir ultrapassa os limites do ativismo político convencional. Seus representantes nos campi, argumentam os analistas, deveriam ser responsabilizados tanto pelas universidades quanto, quando cabível, pelas autoridades policiais.

O caso também reforça uma constatação mais ampla: o ativismo extremista observado em parte das universidades ocidentais raramente é espontâneo. Em geral, trata-se do resultado de redes organizadas, com atuação transnacional, que buscam instrumentalizar o ambiente acadêmico para promover agendas alinhadas aos interesses de grupos hostis ao Ocidente.

©2026 City Journal. Publicado com permissão. Original em inglês: Terror Supporters Are Influencing Students at the University of Washington

Fonte: Gazeta do Povo


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