a retórica inflama a política enquanto o pragmatismo busca espaço

a retórica inflama a política enquanto o pragmatismo busca espaço

A cena política brasileira, sempre efervescente, encontra-se novamente em um turbilhão de declarações e embates que desviam o foco de questões essenciais para a nação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figura central deste cenário, gerou uma profunda crise diplomática e reações internas ao comparar as ações de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto. A declaração, além de repercutir negativamente no cenário internacional, com Israel classificando o presidente como persona non grata, provocou até mesmo a crítica pública da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que a considerou “desnecessária” e prejudicial ao governo [link para análise política]. Enquanto ministros como Alexandre Padilha buscam defender a fala, argumentando que houve distorção na interpretação, a verdade é que o episódio expõe uma diplomacia ideológica, descolada da tradição de equilíbrio e pragmatismo que o Brasil sempre buscou manter, gerando desgaste e instabilidade em um momento que exigiria cautela e moderação.

O judiciário sob ataque e a busca por equilíbrio

A polarização ideológica não se restringe ao Poder Executivo ou à política externa, estendendo-se com intensidade ao Poder Judiciário. A recente lembrança do presidente Lula sobre as falas do ex-presidente Jair Bolsonaro contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), classificadas por ele como um “atentado à democracia”, contextualiza um debate persistente sobre a politização da Corte e a necessidade de harmonia entre os Poderes. Em meio a esse ambiente de tensões institucionais, a iminente aposentadoria da ministra Cármen Lúcia abre um espaço para a discussão sobre o perfil ideal dos futuros membros do STF. O deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), por exemplo, defendeu o advogado Nunes Marconi como um “excelente nome”, enfatizando a importância de um perfil técnico e jurídico em detrimento de indicações com viés político [link para artigo sobre STF]. Essa perspectiva, que privilegia a meritocracia e a imparcialidade, é crucial para resgatar a credibilidade de uma instituição que tem sido, nas últimas décadas, palco de confrontos e decisões muitas vezes percebidas como pautadas por interesses políticos.

Gestão estadual: um contraponto necessário?

Enquanto Brasília se perde em embates retóricos e disputas ideológicas que pouco contribuem para o avanço do país, algumas gestões estaduais sinalizam uma rota mais promissora. É o caso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que sancionou uma lei regulamentando o teletrabalho para servidores públicos estaduais [link para site do governo de SP]. Esta medida, focada na modernização da administração pública e na otimização de recursos, demonstra um compromisso com a eficiência e a produtividade, elementos frequentemente deixados de lado no debate político nacional. A iniciativa do governo paulista, ao permitir maior flexibilidade e buscar a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população, contrasta com a inércia e a fragmentação observadas em esferas superiores, sugerindo que o pragmatismo e a busca por soluções concretas podem e devem prevalecer sobre a guerra de narrativas.

A persistência de um cenário político dominado pela retórica incendiária e pela incessante disputa de narrativas ideológicas é um desserviço à nação. Enquanto agentes políticos se digladiam em temas que geram mais divisão do que união, a urgência de reformas estruturais, de um ambiente de negócios estável e de uma governança eficiente permanece em segundo plano. É imperativo que a classe política brasileira, em todos os níveis, compreenda que a estabilidade institucional, o respeito à lei e o foco em soluções práticas são os verdadeiros pilares para o desenvolvimento e para a consolidação de uma democracia madura, capaz de superar as crises e construir um futuro mais próspero e menos polarizado.

Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC


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