O xadrez político e a eterna encruzilhada brasileira

O xadrez político e a eterna encruzilhada brasileira

O cenário político nacional segue em um ciclo de decisões controversas, manobras estratégicas e a persistência de desafios estruturais que travam o desenvolvimento do país. Entre reviravoltas judiciais e tentativas de reaquecer a economia via intervenção estatal, a fragilidade de nossas instituições e a irresponsabilidade fiscal continuam a ditar o ritmo, alimentando a desconfiança do cidadão comum e do investidor.

Judiciário em foco: entre a justiça e a política

Uma das notícias mais marcantes da semana envolveu a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de reverter a cassação do ex-deputado federal Deltan Dallagnol. A unanimidade do placar do TSE, ao considerar que não houve intenção de fraude na sua desfiliação do Ministério Público para concorrer às eleições de 2022, representa um ponto de virada significativo. Para muitos, a cassação original do ex-procurador, figura central da Operação Lava Jato, sempre pareceu um ato desproporcional e com forte viés político, destoando de princípios democráticos e da valorização de combate à corrupção. A decisão do TSE agora restaura a esperança em um Judiciário que, embora muitas vezes criticado por sua intervenção excessiva, demonstra, neste caso, um raro alinhamento à segurança jurídica e ao respeito à vontade popular expressa nas urnas. É crucial que a independência entre os Poderes seja preservada, evitando que interpretações jurídicas se tornem instrumentos de perseguição política, como pareceu ocorrer no passado recente. Mais informações sobre o processo podem ser encontradas no site oficial do TSE.

O atalho do Estado: mais gastos, velhos problemas

Em contrapartida à esperança de um Judiciário mais equilibrado, a política econômica do governo federal continua a trilhar caminhos preocupantes. O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de um pacote de R$ 50 bilhões em incentivos fiscais e linhas de crédito subsidiadas para o setor industrial é um exemplo clássico de intervencionismo estatal. Historicamente, essas medidas, embora vendidas como solução rápida para impulsionar a indústria, acabam por onerar o Tesouro Nacional, distorcer a concorrência e criar privilégios para setores específicos, em detrimento da livre iniciativa. Acreditamos que o verdadeiro motor da economia está na redução da burocracia, na simplificação tributária e na responsabilidade fiscal, não em pacotes de estímulo inflacionários que comprometem o futuro fiscal do país. O custo desses programas recai sobre o contribuinte, sem garantia de eficiência ou retorno duradouro.

Reforma tributária: a faca de dois gumes

No Congresso, a tramitação da reforma tributária gera debates acalorados, evidenciando as complexidades de nossa máquina estatal. As preocupações manifestadas por parlamentares, incluindo um influente senador, sobre o impacto da proposta no setor de serviços são plenamente justificáveis. Este segmento, vital para a geração de empregos e renda, não pode ser penalizado por uma reforma que, em busca de simplificação, ignora as especificidades de cada setor. É fundamental que a reforma promova um ambiente de negócios mais justo e previsível, sem aumentar a carga tributária geral ou gerar insegurança jurídica. A pressa em aprovar medidas complexas sem a devida análise pode resultar em um retrocesso ainda maior, estrangulando empreendedores e espantando investimentos. A simplificação deve ser acompanhada de uma redução efetiva da carga tributária e da reforma da máquina pública, não apenas de uma redistribuição de pesos.

A chaga da corrupção persiste

Por fim, a sombra da corrupção continua a pairar sobre a gestão pública, reforçando a urgência de vigilância e transparência. A investigação envolvendo um prefeito de uma importante capital do Nordeste, suspeito de desvio de verbas em obras públicas, é um triste lembrete de que o dinheiro do contribuinte ainda é alvo fácil para a malversação. A Polícia Federal e o Ministério Público, ao apontarem indícios de superfaturamento e fraude em licitações, reafirmam a importância de instituições de controle fortes e independentes. Casos como este corroem a confiança popular nas instituições e desviam recursos essenciais que poderiam ser aplicados em saúde, educação e segurança. A luta contra a corrupção deve ser incessante, com punições exemplares, e a defesa intransigente da responsabilidade fiscal é a principal ferramenta para evitar que o dinheiro público seja drenado por esquemas ilícitos. A boa gestão é a base para o progresso real.

O Brasil está em um momento crucial. As decisões tomadas por presidentes, ministros, juízes e parlamentares reverberam por anos, moldando o futuro de milhões. É imperativo que os agentes políticos abandonem a retórica populista e as soluções paliativas, focando em reformas estruturais que garantam a responsabilidade fiscal, a liberdade econômica e a solidez das instituições democráticas, pilares essenciais para um futuro próspero e menos dependente do Estado.

Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC


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