Uma pousada situada em Urupema, na região da Serra Catarinense, sofreu danos significativos na noite da última segunda-feira, dia 12 de fevereiro, quando um rio local transbordou devido ao volume extraordinário de chuvas. A empresária responsável pelo estabelecimento, que preferiu não ter seu nome divulgado, descreveu o episódio como “apavorante” à imprensa local, evidenciando a surpresa e a rapidez com que a água invadiu as instalações.
O incidente ressalta a vulnerabilidade de propriedades às margens de cursos d’água em períodos de precipitação intensa. Em apenas 24 horas, o município de Urupema registrou um acumulado pluviométrico superior a 100 milímetros, marca que, segundo especialistas e órgãos de monitoramento meteorológico, é suficiente para causar inundações e deslizamentos, especialmente em áreas com topografia acidentada como a Serra Catarinense.
A noite de terror na propriedade rural de Urupema
A empresária, visivelmente abalada, detalhou o cenário de caos que se desenrolou em sua propriedade. Ela e sua equipe foram pegas de surpresa pela elevação abrupta do nível do rio, que transformou as áreas verdes da pousada e parte de suas edificações em um verdadeiro lago em questão de poucas horas. “Era assustador ver a água subindo tão rápido, levando tudo”, desabafou, referindo-se aos móveis, equipamentos e objetos pessoais que foram arrastados ou danificados pela força da correnteza. O estabelecimento, que normalmente oferece refúgio e tranquilidade aos turistas que buscam a beleza natural da região, transformou-se em um cenário de destruição.
A água invadiu diversos cômodos, deixando um rastro de lama e desorganização. A extensão exata dos prejuízos ainda está sendo contabilizada, mas a reconstrução e a limpeza devem exigir um investimento considerável de tempo e recursos. Este tipo de evento não apenas afeta a estrutura física, mas também o cronograma de reservas e a renda de pequenos empreendedores que dependem do turismo rural, uma das principais atividades econômicas da região serrana de Santa Catarina.
O volume pluviométrico excepcional e o alerta meteorológico
O volume de chuva registrado em Urupema, que ultrapassou a marca dos 100 milímetros em um único dia, é considerado elevado e atípico para o período, mesmo em uma região conhecida por suas chuvas bem distribuídas ao longo do ano. Dados da Epagri/Ciram, o órgão de monitoramento hidrometeorológico de Santa Catarina, frequentemente alertam para sistemas de baixa pressão ou frentes frias que podem estacionar sobre a região, provocando precipitações intensas e contínuas.
A Serra Catarinense, com sua topografia montanhosa e vales estreitos, é particularmente suscetível a cheias e inundações repentinas. A rápida saturação do solo e o aumento do volume dos rios e córregos locais são consequências diretas desses eventos pluviométricos extremos. A Defesa Civil de Santa Catarina havia emitido alertas para a possibilidade de chuvas intensas em diversas regiões do estado, incluindo a Serra, recomendando que a população e os proprietários de imóveis em áreas de risco ficassem atentos e tomassem medidas preventivas.
Consequências das cheias na infraestrutura e economia local
Além dos impactos diretos na pousada da empresária, as chuvas intensas e o transbordamento de rios podem acarretar uma série de outras consequências para a infraestrutura e a economia de Urupema e municípios vizinhos. Estradas vicinais e até mesmo rodovias estaduais podem ser interditadas devido a deslizamentos de terra, queda de barreiras ou pontos de alagamento, dificultando o acesso e o transporte de bens e pessoas. A interrupção de serviços básicos, como fornecimento de energia elétrica e água potável, também pode ocorrer, agravando a situação dos moradores.
Para o setor turístico, pilar econômico da região, eventos como este representam um grande desafio. Urupema é conhecida por suas baixas temperaturas e paisagens invernais, atraindo visitantes em busca do frio e do charme serrano. No entanto, a reputação da região como destino turístico pode ser abalada por ocorrências climáticas extremas, levando a cancelamentos de reservas e uma queda na procura. Pequenas propriedades rurais, que muitas vezes complementam sua renda com a hospedagem de turistas e a venda de produtos locais, são as mais afetadas, uma vez que têm menor capacidade de absorver grandes perdas financeiras e estruturais.
A resiliência da comunidade serrana frente aos desafios climáticos
Diante de cenários de adversidade, a comunidade serrana de Santa Catarina demonstra frequentemente uma notável capacidade de resiliência e solidariedade. Após o impacto inicial, esforços conjuntos entre moradores, empresários locais e a Defesa Civil Municipal de Urupema são esperados para iniciar a fase de recuperação. Ações de limpeza, arrecadação de donativos e auxílio na reconstrução são mobilizações comuns que visam minimizar os danos e auxiliar as vítimas a retomarem suas atividades.
O histórico de eventos climáticos extremos em Santa Catarina, como as enchentes de 2008 no Vale do Itajaí ou os deslizamentos na Grande Florianópolis, reforça a importância de planos de contingência e de uma cultura de prevenção. Para o município de Urupema, que faz parte do roteiro da Serra Catarinense, a gestão de riscos e a adaptação às mudanças climáticas são temas cruciais para a sustentabilidade de seu desenvolvimento e a segurança de seus habitantes e visitantes.
Orientações para moradores e medidas preventivas
A Defesa Civil sempre recomenda que a população esteja atenta aos avisos meteorológicos e siga as orientações de segurança em caso de chuvas fortes e risco de inundações. Medidas como evitar áreas alagadas, não tentar atravessar pontes submersas e procurar abrigos em locais seguros são cruciais para a preservação de vidas. Em áreas de encosta, o monitoramento de sinais de instabilidade do solo, como rachaduras ou inclinação de árvores, é fundamental para prevenir deslizamentos.
Para proprietários de imóveis em áreas de risco, especialmente aqueles próximos a rios e córregos, a manutenção preventiva de sistemas de drenagem, a limpeza de calhas e a avaliação da estabilidade de muros e barrancos são ações importantes. A criação de um plano de emergência familiar, com rotas de fuga e pontos de encontro, também contribui para uma resposta mais eficaz em momentos de crise. O investimento em infraestrutura resiliente e em políticas públicas de planejamento urbano e ambiental são essenciais para mitigar os impactos futuros de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.



