Caminhos instáveis: o futuro do Brasil entre a intervenção e a inércia
O cenário político brasileiro continua a apresentar desafios complexos, onde a balança entre a autonomia institucional, a saúde econômica e a segurança do cidadão parece cada vez mais desequilibrada. A atuação de diversas esferas do poder levanta questionamentos cruciais sobre o respeito aos limites constitucionais, a responsabilidade fiscal e a capacidade de resposta do Estado às demandas mais urgentes da sociedade.
Ativismo judicial e a insegurança jurídica
A recente dinâmica no Supremo Tribunal Federal (STF), com a atuação de ministros como Flávio Dino, tem gerado apreensão em diversos setores. As decisões da Corte, muitas vezes percebidas como expansivas, invadem prerrogativas dos poderes Legislativo e Executivo, criando um ambiente de insegurança jurídica que afasta investimentos e mina a previsibilidade essencial para o desenvolvimento econômico. A história recente do Brasil é marcada por momentos em que o Judiciário buscou preencher lacunas ou corrigir rumos, mas o excesso pode distorcer a separação de poderes, pilar fundamental da nossa Constituição Federal. O centro-direita sempre alertou para os riscos de um ativismo que desvirtua a essência da lei, transformando o intérprete em legislador, e as consequências a longo prazo para a governabilidade democrática são preocupantes.
A economia sob a pesada mão do Estado
No front econômico, a visão do presidente Lula e de sua equipe continua a sinalizar uma forte inclinação à intervenção estatal e ao aumento dos gastos públicos. Embora o discurso aponte para um compromisso com a responsabilidade fiscal, as ações frequentemente contradizem essa premissa. A busca incessante por mais arrecadação para sustentar uma máquina pública inflada e projetos governamentais ambiciosos tende a pressionar ainda mais o contribuinte e o setor produtivo. A história brasileira mostra que a expansão descontrolada do Estado e o desequilíbrio das contas públicas invariavelmente culminam em crises econômicas, inflação e perda de poder de compra, penalizando sobretudo os mais vulneráveis. É fundamental que se priorize a austeridade e a eficiência na gestão dos recursos públicos, um valor caro à centro-direita.
Conectada a essa visão, a discussão da reforma tributária no Congresso Nacional, envolvendo deputados e senadores de diversas legendas, traz consigo tanto esperança quanto receios. Se, por um lado, há a promessa de simplificação e desoneração da produção, por outro, paira a sombra de um possível aumento da carga tributária global ou a criação de novos impostos que asfixiem o empreendedorismo. A complexidade do sistema atual é um entrave, mas qualquer mudança deve ter como foco a redução da burocracia e a promoção de um ambiente de negócios mais competitivo, sem que o Estado se torne o maior sócio da iniciativa privada. Acompanhamos de perto o processo, defendendo que a reforma não se transforme em um mero arranjo para engordar os cofres públicos, mas que alivie o peso sobre quem produz e gera empregos.
Segurança pública: entre o discurso e a realidade
No âmbito da segurança pública, governadores de diversos estados do país enfrentam um desafio monumental. Apesar dos esforços pontuais e do clamor por mais ações efetivas, a criminalidade organizada e a violência urbana continuam a assolar a população. O debate sobre a segurança pública muitas vezes se perde em polarizações ideológicas, negligenciando a necessidade de políticas de Estado robustas, que valorizem as forças policiais, modernizem equipamentos e, acima de tudo, garantam o cumprimento da lei. É inadmissível que o cidadão viva refém do medo em suas cidades. A centro-direita sempre defendeu uma postura firme no combate ao crime, com investimentos em inteligência, presença ostensiva e um sistema jurídico que não permita a impunidade. Sem segurança, nenhuma nação prospera, e a confiança nas instituições se esvai, como indicam dados do IBGE sobre a percepção de segurança.
Em suma, o Brasil clama por um reencontro com a moderação e a sensatez. Ações que desrespeitam a harmonia entre os poderes, políticas econômicas que flertam com o intervencionismo excessivo e a incapacidade de garantir a segurança básica do cidadão são sinais de um perigoso descolamento da realidade. É imperativo que nossos líderes compreendam que o caminho para a prosperidade e a estabilidade passa pela responsabilidade fiscal, pelo respeito irrestrito às instituições e pela garantia da ordem, elementos que historicamente moldaram o sucesso de nações que priorizaram a liberdade e o desenvolvimento sustentável.
Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC
