O xadrez político brasileiro entre a liberdade e a intervenção estatal

O xadrez político brasileiro entre a liberdade e a intervenção estatal

O cenário político nacional revela um embate constante entre a busca por maior liberdade econômica e individual e a persistente tentação da intervenção estatal. As recentes movimentações de agentes públicos ilustram essa tensão, delineando os desafios impostos às instituições democráticas e ao desenvolvimento do país. É imperativo que a sociedade observe com atenção as escolhas que moldarão o futuro brasileiro.

Autonomia e pressão sobre o Banco Central

Ainda no campo econômico, a reiterada crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à taxa Selic e a cobrança por ações mais incisivas do Banco Central (BC) acendem um sinal de alerta. Essa postura, que historicamente questiona a independência da instituição, ignora o papel técnico do BC no controle da inflação e na manutenção da estabilidade econômica. A autonomia do Banco Central, conquistada a duras penas, é um pilar de responsabilidade fiscal e previsibilidade para o mercado, protegendo a economia de ciclos viciosos de pressões políticas de curto prazo. Intervenções nesse campo podem erodir a confiança dos investidores e comprometer a política monetária [saiba mais sobre a autonomia do BC](https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional/autonomia).

Aperfeiçoamento da reforma tributária e responsabilidade fiscal

Em paralelo, a discussão sobre a reforma tributária no Congresso, com a proposta de uma PEC paralela defendida pelo senador Efraim Filho (União Brasil-PB), revela uma preocupação salutar com a qualidade legislativa. A crítica aos “jabutis” e a defesa de um aperfeiçoamento sem atrasar a reforma principal são cruciais para garantir que a modernização do sistema tributário não se transforme em uma nova carga ou em distorções que prejudiquem a autonomia federativa. A busca por um texto que respeite os entes federativos e não onere excessivamente o setor produtivo é essencial para a saúde econômica e a responsabilidade fiscal do país [leia mais sobre a reforma tributária](https://www.poder360.com.br/congresso/relator-da-reforma-tributaria-na-ccj-do-senado-defende-pec-paralela-e-critica-jabutis/).

Liberdade de expressão em xeque e a defesa da tradição educacional

No campo das liberdades individuais, a iminente votação do Projeto de Lei das Fake News (PL 2630/2020), pautado pelo presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sob pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal e do governo, é um ponto de inflexão. Embora a desinformação seja um problema real, a busca por uma regulamentação precisa ser feita com extrema cautela para não resvalar em censura. A liberdade de expressão é um pilar inegociável da democracia e qualquer tentativa de criar um “Ministério da Verdade” pode ter consequências nefastas, sufocando o debate e a pluralidade de ideias. A história nos ensina que a vigilância estatal sobre o que pode ou não ser dito é um caminho perigoso. Em contraste, a decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em sancionar a lei que proíbe a linguagem neutra nas escolas de São Paulo reflete uma postura de defesa da norma culta da língua portuguesa e um posicionamento contra a imposição de ideologias em ambientes de ensino. Essa medida, embora controversa, busca preservar a clareza pedagógica e os valores tradicionais na educação, longe de ser uma intervenção na liberdade de expressão, mas sim um limite à proliferação de agendas específicas no ambiente escolar.

Segurança pública com inovação e inteligência

Finalmente, no campo da segurança pública, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), demonstrou um caminho promissor ao anunciar um plano estratégico focado em inteligência e tecnologia. A modernização das forças de segurança, com investimento em dados, inteligência artificial e monitoramento, é uma resposta eficiente e necessária à complexidade do crime organizado. A valorização da integração entre as polícias e a colaboração federativa são passos fundamentais para restabelecer a ordem e a sensação de segurança para os cidadãos. Um estado que garante a segurança de sua população cumpre uma de suas mais básicas e vitais funções, criando um ambiente propício para o investimento e o desenvolvimento social.

Esses movimentos políticos demonstram um cenário de polarização ideológica e de tensões institucionais. O centro-direita brasileiro deve continuar a defender a responsabilidade fiscal, a autonomia das instituições, a liberdade individual e a ordem pública. A busca por um estado eficiente e menos interventor, que fomente a prosperidade e proteja as liberdades fundamentais, é a bússola para um Brasil mais justo e próspero. Ignorar esses princípios em nome de agendas políticas ou ideológicas é um desserviço à nação e um risco real à nossa ainda jovem democracia.

Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC


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