O preço da instabilidade: instituições sob teste e o futuro do brasil
A cena política brasileira se desenha em um mosaico de tensões e desafios, onde a solidez das instituições democráticas é constantemente posta à prova. Observa-se um embate permanente entre poderes e uma crescente pressão sobre os agentes públicos, que ora buscam legitimar suas ações, ora são criticados por minarem a confiança popular.
A erosão da confiança e o discurso eleitoral
A persistência do ex-presidente Jair Bolsonaro em questionar a segurança das urnas eletrônicas representa um flanco aberto na estabilidade democrática. Embora a busca por transparência seja um pilar de qualquer Estado democrático de direito, a insistência em alegações sem provas contundentes, após inúmeras auditorias e a validação do processo por órgãos competentes como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – cujos ministros têm reiterado a robustez do sistema –, apenas fragiliza a fé pública. Tal postura alimenta a polarização e deslegitima o resultado eleitoral, um pilar fundamental da soberania popular, contribuindo para um ambiente de instabilidade que o país não pode se dar ao luxo de cultivar. A solidez de nossas instituições exige respeito e responsabilidade, não discursos que erodem a credibilidade do voto.
O dilema econômico e a articulação governamental
No campo econômico, o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se desdobra para aprovar reformas cruciais, como a tributária e novas regras fiscais, no Congresso Nacional. A necessidade de equilibrar as contas públicas e fomentar o crescimento é inegável, e a responsabilidade fiscal deveria ser uma bússola intransigente. Contudo, a articulação política para angariar apoio, envolvendo ministros da Fazenda e da Casa Civil, frequentemente esbarra nas exigências de contrapartidas do centrão e da oposição. Essa dinâmica, por vezes, levanta preocupações sobre a real prioridade: o rigor fiscal ou a acomodação de interesses que podem onerar o contribuinte e expandir o tamanho do Estado, em vez de promover a eficiência e a redução de despesas. A aprovação de medidas verdadeiramente saneadoras exige coragem para enfrentar privilégios, não apenas ceder em nome da governabilidade.
Ativismo judicial e os limites da liberdade
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido palco de discussões cruciais sobre os limites da liberdade de expressão nas redes sociais, ao julgar a constitucionalidade de leis estaduais que visam combater desinformação e discurso de ódio. Embora a moderação seja importante para coibir abusos, a linha entre a proteção e a censura é tênue e perigosa. Ministros do STF se dividem, e a preocupação central deve ser evitar o excesso de poder estatal sobre a comunicação individual. A intervenção do Judiciário em temas que demandam amplo debate legislativo e que afetam direitos fundamentais, como a livre manifestação do pensamento, pode configurar um ativismo judicial preocupante. A defesa intransigente da liberdade, mesmo para opiniões impopulares, é um pilar da democracia liberal, desde que não configure incitação à violência ou crime. É preciso cuidado para que a intenção de proteger a democracia não resulte em ferramentas de controle do dissenso, como apontado por especialistas em direitos civis.
A falência da segurança pública e o dever do Estado
A crescente crise na segurança pública em capitais brasileiras, evidenciada pelo aumento de crimes, coloca governadores e prefeitos sob intensa pressão. A ineficácia do Estado em garantir a proteção de seus cidadãos é uma falha primária, que impacta diretamente a vida das pessoas e a atividade econômica. A busca por soluções emergenciais, como o reforço policial, é paliativa se não vier acompanhada de investimentos em inteligência, modernização das polícias e uma profunda revisão do moroso sistema judicial. A atuação coordenada entre as esferas federal, estadual e municipal é essencial, mas o problema reside muitas vezes na ausência de uma estratégia de longo prazo, na precariedade de recursos e na falta de prioridade orçamentária para o enfrentamento da criminalidade. É inaceitável que o Estado, frequentemente pesado e ineficiente em outras áreas, falhe em sua responsabilidade mais básica: garantir a ordem e a segurança da população.
A complexidade do cenário exige de nossos líderes mais do que malabarismos políticos: demanda responsabilidade fiscal inabalável, respeito às instituições, firmeza na defesa das liberdades individuais e prioridade máxima à segurança do cidadão. Somente assim o Brasil poderá construir um futuro de prosperidade e estabilidade, em vez de se perder nas armadilhas da instabilidade e da ineficiência estatal.
Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC
